Vivemos em um mundo cada vez mais “urgente”, onde a tecnologia tem sido indispensável à ação humana, diante disso, observamos que a tecnologia informática vem resolvendo problemas urgentes e melhorando a qualidade do trabalho nos diversos campos sociais. No entanto, essa tecnologia eficiente e renovadora, acaba se tornando algo distante e inacessível.
Acreditando que a informática como inovador instrumento de trabalho, eficiente e transformador é capaz de promover mudanças, podemos então considera-la uma ferramenta de trabalho que uni teoria e prática, capaz de produzir resultados mais imediatos que promova um desenvolvimento pessoal e uma aprendizagem mais rápida e significativa.
É essencial considerar o professor como sendo o mais importante instrumento de ensino. Contudo, é preciso que os professores estejam habilitados para trabalhar com essa tecnologia, e que não deixe a mesma assumir o papel do professor, pois ela deve ser vista como um meio que serve para melhorar o que já está sendo feito.
A primeira revolução tecnológica foi provocada por Comenius, que tinha a idéia de universalizar o ensino. Embora muitos tenham acesso a essa tecnologia, e que segundo Paulo Freire é um meio de mudar a educação saindo do tradicionalismo, não há, porém uma democratização do conhecimento.É importante ressaltar que a sociedade apresenta situações educacionais diferentes, a maioria da população brasileira estuda ou pelo menos deveria estudar em escolas públicas e consequentemente possuem condições de aprendizagem diferentes. Levando em consideração essa deficiência, é relevante que o computador seja visto como um auxiliador do trabalho do professor e que o mesmo tenha uma preparação pedagógica para utilizá-lo, podendo assim, ser um referencial para o aluno, ajudando-o a desenvolver suas habilidades e idéias, organizar seus pensamentos e construir novos conhecimentos, bem como evitando aulas repetitivas e promovendo novas abordagens.
O objetivo dessa formação de professores é capacitá-los para o trabalho com essa tecnologia computacional, de forma que se sintam capazes para adaptar os conteúdos propostos no planejamento a essa máquina, promovendo além de mudanças nos métodos tradicionais de ensino, um desenvolvimento do pensamento crítico-reflexivo, tornando o educando um ser capaz de construir e reconstruir seu próprio conhecimento.
A informática por ser considerada por muitos um instrumento de aprendizagem, tem sido cada vez mais aceita no ambiente escolar, pois em épocas passadas, para ser usada na escola, deveria ter antes uma justificativa, talvez por falta de capacitação dos profissionais ou formação pedagógica adequada para utilizar esse instrumento, tanto teórico quanto prático, tem o tornado ineficiente dentro do espaço escolar. Embora saibamos que esse instrumento sozinho não promove mudanças, ele não deixa de ser dispensável à ação pedagógica, sendo assim, ele deixa de ser apenas um instrumento neutro ou um simples transmissor de conteúdos, e passa a ser acima de tudo, modificador do próprio homem e de sua maneira de ver o mundo.
O mundo evoluiu muito com o processo de globalização, com isso há a necessidade de aceleração do conhecimento e a informática tem acompanhado essa evolução. A utilização de duas grandes linhas da informática na educação – instrucionista e construcionista - proporcionou ainda mais a construção do conhecimento, embora apresente diferentes abordagens. As duas estão voltadas para o papel de observar na prática se o ensino oferecido pelas escolas, por meio de instrumentos tecnológicos, tem proporcionado conhecimento e principalmente favorecido a aprendizagem.
A abordagem instrucionista tem como meta principal a transmissão de informação, a aprendizagem dependerá de um ensino mais aperfeiçoado, não levando em consideração quem operará a tecnologia e sim se os educandos estão habilitados para manusear tal equipamento. Já a abordagem construcionista, visa contribuir para a transformação da aprendizagem, favorecendo a auto-aprendizagem, tanto presencial quanto a distancia, não fazendo distinção entre ambas. Nessa abordagem, o professor, além de aproximar o aluno da máquina, incentiva o diálogo e debates, de modo que troquem experiências e idéias para que juntos ou individualmente avancem na construção de novos conhecimentos.
Seymour Papert ao articular conceitos da inteligência artificial propôs uma metodologia e uma linguagem que constituíram a abordagem construcionista usada no sistema de programação Logo. Para usar nos computadores o princípio construcionista, ele se inspirou em Dewey, Freire, Piaget e Vygotsky.
Papert assume o pensamento de Dewey quando considera fundamental que os conhecimentos trabalhados no computador sejam apropriáveis segundo o principio da continuidade do poder e da ressonância cultural. Para Papert a melhor aprendizagem ocorre quando o aprendiz assume o comando de seu próprio desenvolvimento. Em relação a Paulo Freire concorda quando critica a educação bancaria e que a alfabetização deve ser a de ler a palavra a de ler o mundo, onde o aluno se torne sujeito de seu processo de aprendizagem, pois assim deve ser a alfabetização computacional.
Contudo, se distancia em relação à escola. Freire diz que a escola deve estar à altura da tecnologia, e Papert diz que os recursos tecnológicos estão sendo usados como conservadorismo e politicas opressoras e a tecnológica irá substituir a escola que conhecemos hoje.
Jean Piaget diz que o conhecimento não é transmitido, mas construído progressivamente e evolutivo pelas suas próprias ações. Teoria aceitável por Papert, mas diz que os estágios podem ser quebrados. Com o uso do computador, uma criança, por exemplo, obtém conhecimento mais rápido, assim o segundo estagio deixaria de ser obrigatório, pois o uso do computador acelera o conhecimento.
Quanto a Vygotsky, o ponto central de sua teoria é o conceito de zona de desenvolvimento proximal (ZPD) onde o aprendizado acontece no intervalo entre o conhecimento real e o potencial, desta forma, para Papert, na busca do conhecimento por meio do computador, o aluno busca a informação e transforma um conhecimento real estimulando o conhecimento potencial eliminando o sistema tradicional de ensino porque o aluno é incitado a buscar o novo conhecimento.
Não esqueçamos que a escola não é apenas um lugar que se troca conhecimento, mas um ambiente de interação entre as pessoas que vivem em comunidade, que se integram e interagem entre si. Resta ao professor desenvolver atividades com essa nova ferramenta junto a seus alunos, mesmo sem ter a oportunidade de analisar as dificuldades e as potencialidades de seu uso na prática pedagógica.
Os alunos por crescerem em uma sociedade permeada por recursos tecnológicos, são hábeis manipuladores da tecnologia e dominam com maior rapidez e desenvoltura do que seus professores. Para tanto, é preciso que os formadores de professores favoreçam aos professores em formação a tomada de consciência sobre como se aprende e como se ensina, levando-os a compreender a própria prática e a transformá-la em prol de seu desenvolvimento pessoal e profissional, bem como em benefício do desenvolvimento de seus alunos. É essencial a promoção da autonomia dos professores em formação, o desenvolvimento de suas potencialidades no uso desses recursos, formando assim, docentes que sejam capazes de atuar de maneira eficaz, como forma de minimizar os problemas dessa área.
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